27 de outubro de 2026 | Radar DM — Tecnologia e Marketing Digital
O Instagram está testando vídeos horizontais de até 90 minutos e pode estar entrando em uma nova fase de sua história. A novidade, chamada Features, amplia as possibilidades de publicação de conteúdos longos, como entrevistas, podcasts, documentários e programas completos.
O anúncio foi apresentado em 26 de outubro de 2026 por Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, e Tessa Lyons, vice-presidente de produto da plataforma.
A proposta representa uma mudança importante para uma rede social que, nos últimos anos, concentrou grande parte de seus esforços nos vídeos curtos e verticais.
Mas a novidade vai além da duração das publicações. O Instagram quer aproximar conteúdos curtos e longos, facilitar a descoberta de programas completos e ampliar sua presença nas televisões conectadas.
Será que estamos diante de uma nova disputa direta com o YouTube? E como as empresas podem aproveitar essa transformação?
Neste artigo, o Radar DM explica o que já foi anunciado, o que permanece em teste e quais oportunidades podem surgir para o marketing digital.
O que é o Instagram Features?
O Features é um novo formato experimental do Instagram desenvolvido para vídeos horizontais de longa duração, com limite de até 90 minutos.
A ferramenta pretende oferecer aos criadores mais liberdade para desenvolver conteúdos que precisam de tempo, contexto e continuidade.
Entre os formatos que podem se beneficiar estão:
- Entrevistas e conversas aprofundadas.
- Podcasts em vídeo.
- Programas educativos.
- Documentários e conteúdos institucionais.
- Séries e produções divididas em episódios.
- Apresentações completas de projetos e serviços.
A novidade não significa que todos os vídeos do Instagram passarão a ter 90 minutos ou que os Reels serão substituídos.
A intenção apresentada pela empresa é permitir que vídeos curtos e longos coexistam, atendendo a diferentes interesses e momentos de consumo.
O formato já está disponível no Brasil?
Ainda não para todos os usuários.
O Instagram já vinha realizando testes com criadores selecionados no Brasil e anunciou, em 26 de outubro, uma expansão limitada para contas dos Estados Unidos.
Até a publicação deste artigo, não havia uma data oficial para a liberação geral do Features.
Portanto, usuários que ainda não encontram a opção em suas contas não precisam realizar procedimentos especiais ou recorrer a aplicativos externos.
O recurso permanece em desenvolvimento e poderá passar por alterações antes de uma eventual expansão.
Como os Reels poderão levar o público aos vídeos completos?
Uma das propostas mais interessantes é a integração entre os Reels e os vídeos de longa duração.
O Instagram também está testando um recurso conhecido como Clips as Reels, que permite associar trechos curtos a uma produção completa.
Nos testes apresentados, até oito Reels podem ser vinculados a um mesmo vídeo longo.
Imagine uma entrevista de 40 minutos com um especialista.
Em vez de divulgar somente o programa completo, o criador poderá selecionar os momentos mais relevantes e transformá-los em vídeos curtos.
Quem encontrar um desses trechos terá a possibilidade de acessar a produção original dentro do próprio Instagram.
Na prática, os dois formatos passam a desempenhar funções complementares:
O vídeo curto desperta o interesse. O vídeo longo oferece aprofundamento.
Essa dinâmica já faz parte das estratégias de muitos canais no YouTube, que utilizam vídeos curtos para apresentar conteúdos mais extensos.
A diferença é que o Instagram pretende aproximar essas experiências dentro de seu próprio ambiente.
Por que o Instagram quer investir em vídeos longos agora?
Durante anos, o Instagram associou sua experiência audiovisual principalmente a conteúdos rápidos, fáceis de consumir e compartilhar.
Os Reels se tornaram uma parte central dessa estratégia.
Vídeos curtos favorecem a descoberta de novos perfis, o compartilhamento entre amigos e o consumo de diversos conteúdos em pouco tempo.
Entretanto, nem todo assunto pode ser desenvolvido adequadamente em poucos segundos.
Uma entrevista, uma aula, um documentário ou uma apresentação técnica frequentemente exige uma narrativa mais extensa.
Adam Mosseri reconheceu que tinha preocupações com o impacto dos vídeos longos sobre as interações sociais do Instagram. A estratégia agora é experimentar formas de tornar os dois formatos complementares.
O objetivo não é necessariamente fazer o público abandonar os vídeos curtos, mas oferecer caminhos para aprofundar assuntos que despertaram interesse.
O Instagram está tentando competir com o YouTube?
A expansão para vídeos horizontais e longos aproxima o Instagram de um território tradicionalmente associado ao YouTube.
Mas as plataformas ainda possuem características distintas.
O YouTube dispõe de um ecossistema consolidado de pesquisa, vídeos longos, canais, televisão conectada e monetização para criadores elegíveis.
O Instagram possui uma forte dinâmica de descoberta social, interação entre perfis e compartilhamento de publicações.
Ao investir no Features, a Meta pode reduzir a necessidade de o usuário sair do Instagram para assistir à versão completa de um conteúdo.
É uma disputa por atenção, audiência e relacionamento com os criadores.
Isso não significa que o Instagram substituirá o YouTube. Os dois ambientes poderão continuar fazendo parte de uma mesma estratégia de distribuição de conteúdo.
O Instagram também quer chegar à televisão da sala
Outro aspecto importante dessa transformação é a expansão do Instagram para televisões conectadas.
A plataforma lançou uma experiência voltada à TV, inicialmente concentrada nos Reels, e avançou com versões para dispositivos como Amazon Fire TV, Google TV, televisores Samsung e Apple TV, com disponibilidade que varia conforme o mercado.
O formato horizontal faz sentido nesse contexto.
Enquanto o vídeo vertical é especialmente conveniente para quem utiliza o celular, a orientação horizontal aproveita melhor as telas tradicionais de televisores e computadores.
Podcasts, entrevistas, programas e outras produções audiovisuais podem encontrar novas possibilidades de consumo nesses dispositivos.
Entretanto, é importante esclarecer que a disponibilidade do aplicativo para televisão e do formato Features não é uniforme em todos os países.
No Brasil, ainda existem limitações de acesso e testes em andamento.
O Instagram já vai pagar pelos vídeos de 90 minutos?
Essa é uma das maiores dúvidas entre os criadores.
Até o momento, a Meta não anunciou um programa definitivo de divisão de receita publicitária específico para o Features, equivalente ao modelo tradicional de monetização de vídeos longos do YouTube.
A empresa informou que estuda possibilidades de remuneração envolvendo marcas, fãs e incentivos.
Consequentemente, não é correto afirmar que publicar um vídeo de 90 minutos no Instagram garantirá pagamento por visualizações.
Para produtores profissionais, essa diferença importa.
Produções longas exigem planejamento, captação, edição, equipamentos e tempo. Antes de investir, será necessário avaliar os objetivos comerciais e os mecanismos reais de retorno.
A monetização poderá evoluir, mas as regras futuras ainda não estão definidas.
O Instagram já tentou investir em vídeos longos antes?
Sim.
Em 2018, a plataforma lançou o IGTV, uma iniciativa voltada à publicação e ao consumo de vídeos mais extensos.
O produto não alcançou o protagonismo esperado e seu aplicativo independente foi encerrado em 2022.
A nova proposta surge em um cenário diferente.
Hoje, o consumo audiovisual está mais diversificado, os criadores costumam distribuir o mesmo conteúdo em várias plataformas e vídeos curtos frequentemente funcionam como divulgação de produções completas.
O Features procura aproveitar essa relação entre diferentes durações e formatos.
Ainda assim, o histórico do IGTV mostra que disponibilizar uma ferramenta não é suficiente para garantir sua adoção.
O sucesso dependerá da experiência dos usuários, da distribuição dos conteúdos, da adesão dos criadores e das possibilidades de retorno financeiro.
O que muda para as empresas e para o marketing digital?
A principal oportunidade está na possibilidade de desenvolver uma comunicação mais aprofundada, sem abandonar os conteúdos rápidos.
Para muitas empresas, o Instagram funciona como uma vitrine de produtos, serviços e informações institucionais.
Com os vídeos longos, essa vitrine poderá ganhar novas camadas de conteúdo.
1. Vídeos institucionais mais completos
Uma empresa poderá apresentar sua história, seus processos, sua estrutura e os profissionais envolvidos em suas atividades.
Em vez de tentar transmitir tudo em um único Reel, será possível organizar uma produção com começo, desenvolvimento e conclusão.
2. Conteúdos educativos e demonstrações
Clínicas, instituições, empresas de tecnologia e prestadores de serviços poderão explorar assuntos que precisam de explicações detalhadas.
O formato pode ser útil para entrevistas com profissionais, demonstrações de soluções e apresentações educativas.
Em segmentos regulamentados, a produção deverá continuar respeitando as normas profissionais, a privacidade e as regras de publicidade aplicáveis.
3. Aproveitamento de uma mesma gravação
Uma entrevista de 30 minutos pode originar diversos conteúdos:
- O vídeo principal completo.
- Reels com os melhores momentos.
- Trechos explicativos sobre dúvidas frequentes.
- Publicações com frases e informações relevantes.
- Um artigo aprofundando o assunto no site da empresa.
Essa estratégia pode melhorar o aproveitamento do material produzido.
Entretanto, adaptar conteúdo não significa simplesmente repetir a mesma publicação em diferentes formatos. Cada versão precisa ter uma função clara.
4. Construção de autoridade
Conteúdos aprofundados podem ajudar uma marca a explicar sua experiência, seus métodos e sua visão sobre determinado assunto.
Isso é particularmente relevante para serviços que exigem confiança e consideração antes da contratação.
A autoridade, porém, não nasce da duração do vídeo. Ela depende da qualidade das informações, da consistência e da credibilidade de quem comunica.
5. Novas possibilidades de relacionamento
Quando um conteúdo responde às dúvidas reais do público, ele pode contribuir para construir relacionamentos de longo prazo.
Uma apresentação bem organizada pode despertar perguntas, incentivar contatos e ajudar potenciais clientes a compreender melhor uma solução.
Esses resultados precisam ser acompanhados por indicadores, e não presumidos apenas com base nas visualizações.
Vídeos maiores significam resultados melhores?
Não necessariamente.
Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a discussão.
Um vídeo de cinco minutos bem planejado pode gerar mais valor do que uma produção de uma hora sem objetivo definido.
Da mesma forma, um Reel de 30 segundos pode ser a melhor escolha para apresentar uma novidade ou transmitir uma informação simples.
A decisão deve considerar a finalidade da publicação, as necessidades do público e a profundidade do assunto.
Antes de produzir, vale responder:
Quem precisa assistir a esse vídeo?
Qual dúvida ou necessidade ele pretende atender?
Por que esse conteúdo precisa ser longo?
O que esperamos que a pessoa faça depois de assistir?
O tempo de duração é uma característica técnica. A estratégia é o que dá sentido à produção.
Como as empresas podem se preparar desde agora?
Mesmo sem acesso geral ao Features, as empresas já podem organizar seus processos de produção audiovisual.
Comece pelo planejamento
Identifique assuntos importantes para o público e avalie quais precisam de explicações mais completas.
Grave pensando em diferentes formatos
Quando fizer sentido, produza em boa qualidade e preserve os arquivos originais para facilitar versões horizontais e verticais.
Organize o acervo de conteúdo
Armazene gravações, fotografias, roteiros e materiais institucionais de maneira estruturada, respeitando autorizações de uso e direitos de imagem.
Teste formatos já disponíveis
Entrevistas no YouTube, Reels educativos e vídeos institucionais são
